Os Padrões dos Gigantes da Web – Lean Startup

Inovar, criar produtos e fundar uma empresa é o sonho de muitas pessoas, que admiram os grandes empreendedores e suas histórias de sucesso. Estamos vivendo o boom das startups de tecnologia, empresas como Google, Facebook e LinkedIn inovaram, criaram produtos de sucesso e ganharam milhões de dólares.

Mas infelizmente as pesquisas mostram que muito poucas startups de tecnologia sobrevivem: mais de 90% falham. É comum atribuir as falhas à má qualidade do produto, à incompetência no planejamento ou à má execução dos projetos, mas a triste realidade é que a perseverança e o trabalho duro não levam necessariamente ao sucesso. A causa mais comum das falhas é não encontrar os clientes.

Este artigo é uma introdução ao Lean Startup, e mostra como este método propõe reduzir os riscos na criação de novos produtos.

Empreendedorismo é uma espécie de gerenciamento

Olhando para os casos de sucesso, é possível extrair técnicas e práticas que funcionam para as startups. O Lean Startup é um pacote destas práticas pragmáticas, que endereçam questões organizacionais, de negócios e técnicas, organizadas em um ciclo muito semelhante ao “Método Científico”, com hipóteses, experimentos e observações.

Boa parte das startups de sucesso desenvolvem e gerenciam seus produtos através deste método definido por Eric Ries, e inspirado no “Customer Development“, de Steve Blank, mas que também incorpora outras práticas, como Lean Manufacturing, Design Thinking e Agile Development.

 

Objetivos do Lean Startup

O Lean Startup adapta os princípios do Lean Manufacturing ao
o empreendedorismo. Alguns destes princípios são:

  • Descobrir quem são e escutar os clientes
  • Aprender tanto com os sucessos quanto com os fracassos
  • Sair do prédio (get out of the building) – ir para a rua e ver pro você mesmo os resultados do seu produto

O método prega que para ter sucesso não podemos partir de um produto fechado, mas de uma “idéia inicial” que será desenvolvida até chegarmos em uma “solução que funciona”.

O apego à uma ideia inicial é prejudicial, e pode levar uma empresa à ruína. Este vídeo de um reallity show norte americano exemplifica bem o apego à uma ideia.

Um dos pontos centrais do Lean Startup, o “get out of the building”, estabelece que nada substitui o contato direto com os clientes. O feedback dos clientes é mais importante que qualquer outra coisa, e deve guiar o desenvolvimento do produto. Este outro vídeo mostra um produto sendo desenvolvido no meio dos seus clientes, e serve para dar uma ideia do que estamos falando.

 

O ciclo Build – Measure – Learn

Lean Startup feedback loop

O desenvolvimento do produto é conduzido em rápidas iterações “build-measure-learn” (construir, medir, aprender):

  1. Formulamos algumas hipóteses sobre o produto, e definimos como validá-las;
  2. Construímos apenas o produto mínimo necessário para validar ou invalidar as hipóteses, o que é conhecido como MVP – Minimum Viable Product (produto mínimo viável);
  3. Medimos os resultados, coletando os dados dos testes. Devemos também coletar tudo o que houver de feedback do cliente;
  4. Processamos os resultados – hipótese válida ou inválida – o que nos permite reiniciar o ciclo, com novas hipóteses montadas a partir do aprendizado do ciclo anterior.

Desta forma o ciclo vai direcionando, otimizando e refinando o produto: as hipóteses provadas apontam caminhos certos, enquanto as inválidas mostram por onde não ir.

Este ciclo não deixa espaço para imposições, planos pré-definidos, planejamentos longos, ou seja lá o que for que não seja medido e provado rapidamente. É um processo adaptativo, onde o planejamento tem menos importância do que conhecer os problemas reais dos clientes. Afinal, se estivermos construindo o produto errado, qual é o sentido de seguir um plano, ou de estar dentro do prazo e do orçamento?

 

O MVP

É fundamental que a construção do produto para teste seja rápida e barata, pois as falhas (hipóteses inválidas) precisam ser pequenas o suficiente para não colocar sua empresa em risco. Daí a ideia do MVP, um produto com o mínimo de funcionalidades para a validação. O MVP não é um produto de baixa qualidade, mas é limitado ao estritamente necessário no momento.

A Zappos, uma gigante americana de venda de calçados na Web, é um bom exemplo de MVP, com o experimento feito com seus primeiros clientes. Para entender a realidade, e saber se as pessoas estariam dispostas a comprar sapatos online, o futuro presidente da Zappos fotografou sapatos nas lojas da região, e criou um site de e-commerce contendo apenas esse mostruário de fotos. Ao montar este site sem muitos recursos, ele provou, através de medições, que a demanda existia, e que a construção de um produto completo faria sentido.

 

O Pivot

Se uma hipótese estiver errada, corrigimos a direção. Mas e se todo uma estratégia estiver equivocada? Para esses casos o método define o “Pivot”: uma guinada de direção no desenvolvimento, com uma mudança radical da estratégia do produto. Isto inclui, por exemplo, mudança de plataforma, de público alvo, canal de vendas, etc. Um Pivot pode ser, por exemplo, uma mudança de Web para Mobile, ou de oferta de serviços (SaaS) para oferta de plataforma (PaaS).

 

Aonde o Lean Startup é usado?

IMVU, Dropbox, Heroku, Votizen e Zappos são apenas alguns exemplos de empresas que usaram com sucesso o feedback dos usuários para a criação dos seus produtos. O Dropbox, por exemplo, mudou completamente suas funcionalidades e simplificou drasticamente o controle das pastas sincronizadas. O Heroku passou de uma plataforma de desenvolvimento na nuvem, para uma solução de hospedagem na nuvem. São muitos os exemplos que nos surpreendem principalmente pelas ideias criativas para validar hipóteses com poucos recursos. Outra coisa que fica clara nas histórias destas empresas, é que a ideia inicial nunca é um produto final, mas apenas uma hipótese. Ou seja, é preciso ser flexível e aceitar a realidade: muitas vezes uma ideia “genial” simplesmente não funciona para os clientes.

 

O Lean Startup dentro de grandes empresas

O método não funciona apenas para empresas pequenas, mas ao contrário, ele vem sendo usado como uma maneira de viabilizar projetos de inovação dentro de grandes corporações. O gerenciamento tradicional não é adequado para projetos de inovação, já que a incerteza e a imprevisibilidade são grandes demais, o que impede seu planejamento e acompanhamento. Para inovar é necessário poder experimentar (e errar), mas como controlar os gastos e medir o sucesso dos projetos?

A solução é o conceito de “aprendizagem responsável” (accountable learning), que ensina a construir um ativo de conhecimentos sobre o produto e o mercado, através dos experimentos e medições, com os atingimentos de “marcos de aprendizado” (learning milestones), suficientemente tangíveis para dar visibilidade à gerência e permitir o acompanhamento da evolução do projeto.

 

Ferramentas do Lean Startup

O Lean Startup também se beneficia de muitas ferramentas populares entre os Gigantes da Web:

  • Testes A/B, para testar hipóteses com os usuários de um website;
  • Desenvolvimento Ágil com Scrum ou Kanban para ganhar foco, flexibilidade e agilidade na construção do produto;
  • Deploy Contínuo e DevOps, para agilizar as entregas em produção, e diminuir os custos de infraestrutura.

 

Fontes: